Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O figurino de Bonequinha de Luxo: preto e ostentação

Holly Golightly (Audrey Hepburn)
 


O filme Bonequinha de Luxo (1961) foi baseado da novela de Truman Capote e é dirigido por Blake Edwards (1922-2010), diretor, produtor e roteirista norte-americano em 1961. A personagem Holly Golightly interpretada por Audrey Hepburn é de origem humilde e chega a Nova York com a intensão de casar-se com um homem muito rico.
Ela trabalha como garota de programa de luxo e descobre formas de fazer com que os homens paguem as suas contas de maneira fácil. O seu vizinho é Paul Varjak (George Peppard), que é um escritor e eles acabam se envolvendo, mas não muito sendo que ela tem medo de intimidade, que a faz ficar distante do loiro bonitão.



Audrey Hepburn e George Peppard
 


O seu gato de estimação chama-se apenas “gato”, pobre bichano, a dona não deu nome ao próprio animal de estimação.


  O gato de Holly  



Holly vive no mundo de fantasias e sem nenhum tostão, passa o seu café da manhã na frente das vitrines da loja Tiffany a única joalheria pela qual vale a pena circular na cidade e que a deixa feliz quando está muito triste. A personagem se tornou mais do que uma alpinista social ela é ícone da moda pelo seu bom gosto em vestir o seu pretinho básico desenhado pelo estilista francês Hubert de Givenchy.
Holly tem a preocupação em estar sempre bem-vestida e o espectador que gosta do mundo fashion se identifica com ela, que é considerada uma espécie de padroeira, segundo a revista Bravo. (Bravo, 2008, p. 13)


  Audrey Hepburn usa Givenchy

 
 

O filme trouxe a Hollywood muito sucesso, bem como, os produtos dele derivados e continua dando até hoje. A peça publicitária do filme adentra no mundo das expectativas e dos sonhos de realização de cada espectador e assim eterniza o filme no tempo e também a personagem tão bem interpretada pela atriz Audrey Hepburn.
 
 



 
 
 
Audrey Hepburn encontrou o costureiro francês Hubert de Givenchy, que foi seu costureiro ao longo de sua carreira depois deste filme. Os trajes que ele desenhou tem um tom de aristocracia e são inesquecíveis em Bonequinha de Luxo.Um observador astutamente descreveu a diferença entre uma moda de desenhista de traje e desenhista: “Quando Givenchy olhou para Audrey Hepburn, viu Audrey Herburn. Quando Edith Head olhou para Audrey viu Holly Golightly. (Landis, 2012, p. 181)
Algumas atrizes de Hollywood se tornaram ícones da moda e é porque elas expressam o bom gosto, a sofisticação e muita classe. Ao longo do século XX o diversificado cinema de Hollywood sempre exerceu poderosa influência sobre seus espectadores em termos do figurino inserido nos próprios filmes. Londres fará uma exposição da atriz em julho/2015.


 
Postado em 01/06/2015
Rosângela D. Canassa

Email: rocanassa@uol.com.br

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A FOTÓGRAFA AMERICANA EVE ARNOLD E SUA CLIENTELA DE HOLLYWOOD


 


Eve Arnold (1912-2012) nasceu na Filadélfia/EUA e era filha de imigrantes russos judaicos. Ela foi casada e mulher de muito trabalho. A fotografia entrou na sua vida quando ela começou a trabalhar em um laboratório fotográfico de Nova York em 1946, onde descobriu sua paixão pelas imagens.




Eve Arnold


O famoso fotógrafo de Hollywood Robert Capa ao ver as suas fotos disse: “um misto entre as pernas de Marlene Dietrich e as vidas amargas dos colhedores de batatas”. Esta foi a sua descrição da fotógrafa e o seu estilo.



Marlene Dietrich fotografada por Eve Arnold


Em 1948, estudou na New School for Social Research sob a supervisão do lendário Alexei Brodovitch, diretor de arte da revista Harper's Bazaar.

A fotógrafa das celebridades também descobriu como o glamour e a constante exibição das atrizes de cinema formava um modelo irrealizável junto ao grande público, mas que as mulheres queriam copiar os cabelos, as roupas, maquiagem, etc.




                                               Eve Arnold e Lilli Palmer


A partir de 1951 Arnold trabalhou com a agência Magnum. Em 1957, foi nomeada membro da agência. 



                                                      Marilyn Monroe


Ao longo de sua carreira Eve Arnold transitou entre as reportagens sociais e fotos com Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, Crawford e outras atrizes famosas de Hollywood, que foram imortalizadas nas telas do cinema.
  
Segundo Arnold a atriz Marilyn Monroe adorava a câmera e ir para o estúdio trabalhar. Um dia ela perguntou à celebridade a sua frente, que estava deitada nua e coberta apenas com um lençol: “Como você gostaria de aparecer?” Ela respondeu: “Como a Vênus de Botticelli...”

Arnold dizia que a atriz, às vezes aparecia complacente, outras vezes, quieta e indefesa. Mas, muitas vezes com vontade de jogar o jogo da seção.



                                                   Marilyn Monroe


A atriz Marilyn Monroe foi fotografada desde 1951 até a sua morte , por Arnold.
                                                  
Eve Arnold em 1960 mudou-se para Londres, onde viveu até a sua morte. Ela tornou-se uma das pioneiras do fotojornalismo mundial  e conquistou o reconhecimento internacional da crítica e do público por seus ensaios fotográficos sobre a China, o Afeganistão e a União Soviética. Ela dizia que o instrumento de uma boa foto não era a câmera, mas o fotógrafo.


Rosângela Canassa



Referência bibliográfica:

Moviebox - photographing the magic of cinema - Btitish Library, 2012. 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Bruce/Batman: o figurino do Homem-morcego e da Mulher Gato

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Figurino de Batman

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Bruce Wayne

Bruce Wayne quando veste a roupa do homem-morcego, ele comporta-se como um herói, maneja armas, torna-se valente, violento e vingativo, impulsionado pelo seu ódio ao crime. Ele é um ser dual na medida em que vive um conflito moral e em luta consigo mesmo considerando o homem (Bruce) e a sua fantasia (o homem-morcego), vive sob disfarce para não ser identificado, ocultando uma ambivalência essencial em sua vida, em relação à sua verdadeira identidade. A sua duplicação é também como uma imagem no espelho, um símbolo da consciência, um eco da realidade, que é Bruce Wayne.

Enquanto que Batman é uma fantasia, é o outro lado do mesmo espelho. O seu objetivo é matar os bandidos que destroem Gotham como uma forma simbólica de matar o ladrão que assassinou seus pais.

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A fantasia de Batman

 

Para o autor Julio Cabrera, ao contrário de outros personagens que sofrem metamorfoses no cinema, se transformando em qualquer coisa, Batman não sofre nenhuma alteração em seu corpo (como sofre, por exemplo, Drácula), ele simplesmente veste uma roupa, utiliza um equipamento e adota uma personalidade nova, desenvolvendo atos insólitos do ponto de vista da vida habitual do milionário Bruce Wayne. A transformação é puramente externa, não afeta a personalidade de Bruce, mas somente sua atuação e seu comportamento seriam plausíveis, dizer que Batman e Bruce Wayne são, sem dúvida nenhuma a mesma pessoa. (Cabrera, 2000)

O autor também acrescenta que, quando ele está vestido e age como Batman, Bruce Wayne se torna irreconhecível para os outros. Ninguém diria que ele é Bruce Wayne, porque ele parou de agir como Bruce, de falar e de se comportar como Bruce. Parece que o comportamento funciona melhor como identificador do que a mera vestimenta.

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Símbolo de Batman

O critério que está considerando aqui é o reconhecimento por parte dos outros, isto é, um critério social, por meio do comportamento e não da roupa. E o verdadeiro critério é algo que não pode ser socialmente reconhecido, ou seja, a autoconsciência íntima e pessoal, precisamente o que permite que Bruce Wayne continue preservando sua identidade dupla, tão importante para o combate ao crime na cidade e se preservando.

Com a chegada do Coringa, alguém sem regra e sem conduta, ele continua com sua cruzada contra o crime. Ele aceita o seu destino, paradoxalmente, conduzindo a modificação desse mesmo destino. Ao parar de fugir (realizando as longas viagens), ele perde sua neurose (conflito interno) e conquista o equilíbrio.

O resultado é uma atitude diferente (ausência do medo da vida) que se expressa num caráter mais solidificado e se associa a um destino próprio. Terá coragem de viver e morrer, com consciência de que a sua missão é servir em Gotham City.

Coringa

Coringa

O escritor francês Gérard de Nerval (1808-1855)  assumiu a literatura como um projeto existencial e nele, como em poucos, a literatura e vida confundem-se e ligam-se intimamente, cabendo à literatura o papel de transcender o real. O essencial da sua obra foi publicado nos últimos anos de vida do autor: Voyage en Orient (1851), Les Illuminés (1852), Les Filles du feu (1851) e Aurélia (1855).

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Nerval

 

O escritor disse que: “O homem é duplo”, pois ele via a identidade própria como uma dualidade, um desdobramento, apto às vezes para indefinidas ressonâncias e disfarces, segundo J. P. Richard em Poésie et profondeur.

(Cirlot, 2005)

Para Nerval, o homem possui uma identidade com possíveis desdobramentos e ressonâncias, que desembocam numa dualidade. E a dualidade se observa também em suas obras e para alguns estudiosos o seu desdobramento ou duplicação, se referem a uma consciência da alteridade em suas narrativas de viagem.

Nerval, considerado por muitos como o precursor do Surrealismo era um sujeito atormentado com as suas crises de esquizofrenia, o que não o impediu de traduzir “Fausto”, a obra de Goethe.

A MULHER GATO E OS

FIGURINOS: O PRETO É BÁSICO

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Mulher Gato e Bruce Wayne

 

· O figurino pode servir para identificar um personagem e separá-lo da persona do ator. Os astros famosos têm presença constante nos meios de comunicação e se tornam familiares para o público. Mas, na tela eles precisam ser diferentes, por meio de seu figurino.

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Mulher Gato e Batman

· Seguir os vestígios do simbolismo de uma peça de roupa (como o couro negro) dentro de uma cultura pode ter um significado, mas dentro de outra cultura, um significado bem diferente.

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· A indumentária pode definir o tempo e o espaço em que a história é narrada. Ela pode contribuir para ser utilizada como um documento histórico ou como de Selina e seu figurino realista.

 

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Observação: o texto continua no blog:

www.faroartesepsicologia.blogspot.com

 

Rosângela D. Canassa

domingo, 16 de dezembro de 2012

Análise do filme: “A Felicidade não se compra”:

um conto de Natal

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James Stewart e Donna Reed

 

 

O filme A Felicidade não se Compra (1946) conta a história de George Bailey, um jovem de 28 anos, que deseja fazer muitas viagens, para conhecer o mundo, antes de entrar para a universidade.

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George Bailey (James Stewart)

 

 

George e o irmão vão para uma festa na escola da cidade e lá o protagonista conhece a irmã de um amigo, chamada Mary e eles iniciam o namoro.

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George e Mary (Donna Reed)

 

George teve que abrir mão de seu sonho de viajar pelo mundo para assumir a financiadora e construtora do seu pai, que falecera. Os irmãos Bailey faziam empréstimos financeiros para atender as necessidades de todos da pacata cidade de Bedford Falls.

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George emprestando dinheiro aos moradores da cidade

 

Nesta cidade havia um homem muito rico, o Sr. Potter, que tentava o tempo todo destruir a vida financeira de George.

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Lionel Barrymore (Potter)

 

A época é de Natal e a neve cobre as calçadas de Belford Falls. A cidade foi construída pelos estúdios da RKO, que hoje faz parte da Paramount. Os sets de filmagem que representavam a cidade ocuparam 4 acres, no rancho de Encino da RKO e ficou tudo muito cara toda a produção dos cenários. O Park Bailey foi recriado na Califórnia.

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RKO

Na véspera de Natal, George estava desesperado por causa de uma dívida e não tinha o dinheiro para pagar, então resolveu dar cabo da vida.

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Guarda Bert e George

 

George sem dinheiro para manter a firma e pagar os credores ele tenta o suicídio, mas se depara com um anjo enviado do céu, por um tal de José. George confessa ao anjo que não deveria ter nascido. Então o anjo mostra-lhe como seria a vida de todos na cidade, caso ele não existisse.

 

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Anjo Clarence (Henry Travers) e George (James Stewart)

 

A partir dos acontecimentos, desde a sua infância até aquele momento presente no filme, Clarence vai relembrando os fatos importantes da vida de George, por meio de flashbacks, até que ele percebe que o suicídio não compensa.

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A família de George e os amigos

NOSSOS HERÓIS DO CINEMA: O FEIO-INTERESSANTE

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James Stewart

 

Segundo Edgard Morin, o cinema é um espetáculo plebeu que se apropria dos temas do folhetim e do melodrama em que se encontram em estado quase fantástico, os arquétipos originais do imaginário, as aventuras de morte-sacrifício do herói. O realismo, o psicologismo, o happy end, o humor revelam precisamente a transformação burguesa deste imaginário. (Morin, 1980, p. 25)

Os grandes arquétipos masculinos desabrocham no cinema e os “feios-interessantes” também impõem seu encanto particular, acrescenta o autor. (Morin, 1980, p. 26)

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Frank Capra e James Stewart no set de filmagens

 

O diretor Frank Capra (1897-1991) fez muito sucesso em Hollywood porque ele demonstrava uma fé no homem comum, uma bondade intrínseca que existe no ser humano, conforme comentários do crítico Rubens Ewald Filho. A habilidade deste diretor não era tanto pelos temas, mas pela escolha do elenco.

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Atriz Donna Reed

 

Capra deixa a sua marca que é o corvo Jimmy, do Tio Bailey. Este corvo aparece em todos os filmes do diretor.

Apesar do fracasso de bilheteria o filme ganhou o Oscar de melhor trilha sonora, em 1947 e também ganhou o Globo de Ouro de direção.

O filme “A Felicidade não se compra” é considerado o melhor filme com o tema de Natal, pela TV americana.

UM ANJO CAIU DO CÉU

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Os amigos de George

Além do anjo, George também teve o apoio dos amigos que o ajudaram numa situação difícil. Os psicólogos dizem que, quando temos uma “rede de apoio”, virtual ou não, pode nos levar a melhores opções de saúde e também incentiva a valorizarmos as pequenas conquistas e alegrias do cotidiano. (revista Mente&Cérebro, 2012, p. 31)

Na cidade de Belford Falls, os cidadãos moravam em cortiços e ainda pagavam aluguel para o Sr. Potter. Com os empréstimos realizados pela firma dos irmãos Bailey eles puderam construir suas casas e morar num lugar melhor. Ele também ajudou a construir o Park Bailey, com casas a preço popular.

George desistiu de seu sonho de viajar pelo mundo, por um bem coletivo, ou seja, continuou trabalhando no escritório do pai, junto com o Tio Billy e seu corvo.

Além disso, o dinheiro que ele tinha guardado para as suas viagens no futuro, ele financiou os estudos do irmão mais novo (além de salvar a sua vida quando criança), que foi para a Marinha Americana.

George também custeou as despesas de viagem de Violet, para prosperar na cidade de Nova Iorque, em busca de um emprego e melhores condições de vida.

Apesar de George não acreditar em rezas, o seu anjo da guarda veio ao seu socorro quando ele mais precisava na véspera do Natal.

George é o próprio anjo da cidade de Bedford Falls e “toda a vez que toca um sino é sinal de que um anjo ganhou asas”!

 

 

“A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade”.

 (Immanuel Kant)

 

Ficha técnica:

Título original: It´s a Wonderful life

Título em português: A Felicidade não se Compra

Direção: Frank Capra

Ano: 1946

Gênero: drama

País: EUA

Elenco: James Stewart (George Bailey), Thomas Mitchell (Tio Billy), Donna Red (Mary), Lionel Barrymore (Sr. Potter), Henry Travers (Clarence)

Referência bibiográfica:

1) MORIN, Edgar. As estrelas de cinema. Coleção Horizonte de Cinema. Ed. Livros Horizonte Ltda: Lisboa/Portugal, 1980.

2) Revista Mente&Cérebro – dezembro/2012

DVD - A Felicidade não se Compra – direção de Frank Capra

Sites consultados:

WWW.cineplayers.com/filmes

WWW.google.com.br

www.adorocinema.com

Rosângela D. Canassa/dezembro/2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

AEON FLUX E A CIDADE FANTASMA

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O filme AERON FLUX se passa no ano de 2.411 e conta a história de uma epidemia que exterminou a maioria da população do planeta exceto os habitantes de Bregna. A cidade é governada por um grupo de cientistas ditadores liderados por Trevor Goodchild que descobriu a cura para a epidemia e salvou o restante da população da Terra.

Mas a vacina que ele descobriu acarretou num efeito colateral e todas as mulheres deste território nascem inférteis.

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Trevor Goodchild (Marton Csokas)

 

A cidade de Bregna tem um grupo de rebeldes chamados de monikanos, que desenvolveram várias técnicas para se infiltrar no meio da população da cidade e para não serem descobertos contam com a ajuda da agente Aeon Flux. A sua missão é descobrir os mistérios que envolvem aquela cidade.

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Agente Aeon Flux (Charlize Theron)

 

A atriz Charlize Theron que interpreta a personagem Aeon Flux realizou um treinamento com o grupo de artistas do Cirque du Soleil. Ela exigiu que não tivesse nenhum dublê e fez questão de participar de todas as suas cenas do filme.

A agente é integrante dos rebeldes e ela pode ser a esperança dos monikanos, que tentam descobrir os mistérios da cidade. Sithandra é outra agente e trabalha com Flux.

 

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A rebelde Sithandra (Shophie Okonedo)

Os monikanos fabricam uma droga que contém instruções e quando ingerida a substância entra no sistema neurológico e alcança o cérebro, onde se realiza uma espécie de conferência virtual. Este processo invasivo no corpo possibilita vislumbrar os possíveis resultados da nanobiotecnologia, que está relacionada à manipulação da matéria ao nível molecular, visando à criação de novos materiais, substâncias e produtos aplicados em processos biológicos. (Andrade, 2009, p. 101)

Clonagem humana e nanobiotecnologia

são temas no filme

 

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Os personagens são clones deles mesmos e os sentimentos, as lembranças do passado não existem mais. Eles são seus próprios fantasmas.

A protagonista percebe que a população trocou a liberdade por uma gaiola. Ela pretende investigar porque as mulheres da cidade nascem inférteis.

A cidade de Bregna é perfeita o suficiente para que todos morram e renascem ali mesmo, numa constante clonagem humana. Os cientistas que lideram a cidade escolhem que vai “ressuscitar” ou não, através do DNA, de quem morre.

O filme mostra o quanto a humanidade pode ficar marcada pelas transformações científicas, quando a ferramenta da tecnologia é utilizada para controlar uma população.

CIDADE DE BREGNA: BERLIM MUTANDE

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Túnel de Vento da Aeronática de Berlim, construído em 1932

 

Uma colagem de edifícios ícones é emprestada para a montagem da cenografia do filme. Em Bregna (Berlim/Alemanha), do século XXV é uma cidade dentro de uma redoma que sobrevive após uma catástrofe na Terra. Uma cidade construída artificialmente e moldada pela sociedade tecnológica. A cenografia de Aeon Flux é asséptica e mutante, retrato da realidade em vivem os moradores de Bregna.

 

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Sala de condolências do crematório de Berlim

A construção é bauhausiana nos espaços públicos, com suas grandes proporções influenciaram a ficção de Aeon Flux. (Andrade, 2009, p. 99)

 

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Casa estilo Bauhaus

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Escadarias do Palácio Sanssouci, patrimônio histórico da humanidade,

que fica na cidade de Potsdam a 50 k. de Berlim

 

Apesar de o vírus mortal ter matado 99% da população de Bregna, a cidade é populosa. Mas, o cientista Trevor tenta descobrir melhores resultados para a cura total. A dinastia deste cientista governa a cidade por 400 anos.

Quanto aos rebeldes eles pretendem tomar o poder e durante a missão de exterminar o líder do governo, eles descobrem a origem dos desaparecimentos que continua na cidade.

O FIGURINO FETICHISTA DE AEON FLUX

 

Além do cenário magnífico de Bregna, o figurino elaborado por Beatrix Aruna Pasztor com roupas futuristas é deslumbrante. As referências utilizadas para o filme são do art decó dos anos 20, com traços geométricos e orientais.

 

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Roupas fetichista da agente Aeon Flux

 

A roupa fetichista da agente Aeon Flux foi inspirada na agente Emma Pell de “Os vingadores”, um seriado dos anos 60 para a TV. O figurino da atriz Diana Rigg, uma agente poderosa e sensual cujas roupas de couro são de “alta costura” fetichista, popularizou a moda fetichista. (Steele, 1997, p. 43)

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A atriz Diana Rigg interpretava a agente Emma Pell, anos 60

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Personagem da animação de Aeon Flux produzido

em 1991 da MTV

A criação de um figurino é um mecanismo, uma técnica de produção de sentimentos na narrativa fílmica que se converte em elementos de identificação do personagem com a história e de separação do ator e seu personagem. Nesse contexto, o figurino é transformado em um espaço de significados, que pode revelar contextos históricos de uma época ou mais precisamente, aspectos cotidianos, convenções sociais e culturais, e o modo como cada personagem se posiciona no contexto fílmico. (Andrade, 2009, p. 105)

 

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O tom sobre tom violeta nas cores do figurino

 

No filme, depois de superar tantas restrições as mulheres querem superar o tempo que consume a vitalidade do corpo que é marcado por tantas experiências científicas.

 

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A justiceira Aeon Flux

Ficha técnica:

Título: Aeon Flux

Direção: Karyn Kusana

Ano: 2005

Duração: 1 hora e 33 min.

Elenco: Charlize Theron (Flux), Marton Csokas Trevor), Frances McDormand (Handler), Jonny Lee Miller (Oren), Shopie Okonedo (Sithandra)

Site: www.aeonflux.com

Referência bibliográfica:

ANDRADE, Juan Droguett & Flavio F. A. O feitiço do cinema: ensaios da Griffe sobre a sétima arte. São Paulo: Saraiva, 2009.

STEELE, Valerie. Fetiche: mosa, sexo & poder. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

 

Rosângela D. Canassa

Email para contato: rocanassa@uol.com.br