Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

CHAPLIN: O DONO DO RISO

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Robert D. Jr (Chaplin)

O filme “Chaplin” produzido nos EUA, em 1992, com direção de Richard Attenborough, conta a história do comediante Charles Spencer Charles, que nasceu no subúrbio pobre de Londres, porém triunfou no cinema e foi ator, diretor, roteirista, produtor, autor de trilha sonora de seus filmes, bem como, foi dono do próprio estúdio cinematográfico.

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Charles Spencer Chaplin

A sua história começa quando ele vai atuar no teatro com sua mãe, até o recebimento de um Oscar especial em Hollywood, em 1972, como um dos maiores gênios do cinema. A atriz Geraldine Page (filha dele) interpreta a sua própria avó no filme.

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Geraldine Page

Robert Downey Jr interpreta o papel de Chaplin neste filme, que é a biografia do artista. O ator levou para o cinema sua experiência no teatro e recriou toda a sua infância pobre retratando-a por meio de seus personagens, como O Vagabundo.

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Robert Downey Jr/Chaplin

O personagem criado por Chaplin é patético e nos diverte ao usar a sua pantomima, com fundo humorístico e composto de perseguições, pancadarias, etc.

O Vagabundo vive na marginalidade, no sentido de viver “à margem da sociedade”, como Chaplin, que durante as suas estadias nos orfanatos de Londres, enquanto sua mãe se recuperava em uma clínica psiquiatra, ele dormia na rua, em muitas ocasiões.

Este personagem é fictício, mas o artista colocou muitos aspectos subjetivos de sua vida particular em suas histórias, inclusive neste personagem.

Chaplin descobriu sozinho seu figurino, que era composto de uma calça fofa, surrada, o paletó descosturado, a bengala e a cartola, tornando o artista inconfundível.

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Figurino do Vagabundo

O Vagabundo usa a hábil coordenação motora, a graça, o melodrama, talvez seja o personagem reconhecido como a imagem mais famosa da terra, segundo as palavras do cineasta do cinema mudo, Mack Senett.

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Chaplin o dono do riso

O filme também relata sobre a vida amorosa e intensa deste comediante e os problemas de ordem política que o levaram a ser expulso dos EUA, por ser confundido com um comunista.

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Paulette Godard, uma das esposas de Chaplin

Charles Spencer Chaplin (1889-1977) rompeu com as técnicas mecânicas e cruas de Sennett e introduziu os traços patéticos e o pano de fundo social em suas farsas, mais estruturadas e ambiciosas. (Bergan, 2010, p. 16/17)

Chaplin e a origem do cinema americano

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A década de 1910 fica marcada pela I Guerra Grande Guerra Mundial, que inevitavelmente influenciou o cinema. Com o início do conflito, os filmes americanos começaram a ganhar terreno devido à redução da produção europeia, com exceção da Suécia. A comédia americana surgiu em 1912, com Mark Sennett e sua Keystone Company que era o grupo de policiais trapalhões, que atuaram em muitos filmes mudos. Senett concebeu um tipo de comédia ligeira e irreverente, para sempre associada ao seu nome.

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As comédias americanas na década de 10

Charles Chaplin ou Carlitos como ficou reconhecido no Brasil, a sua personalidade acabou fundindo-se com o personagem que criou, dirigiu e nos presentou durante décadas, o Vagabundo.

O seu método de trabalho consistia em fazer numerosas provas até obter a perfeição absoluta, mas tal procedimento prolongava o tempo de filmagem, porém o cineasta não se preocupava com despesas. Chaplin era um homem minucioso e perfeccionista.

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Charles Chaplin (o Vagabundo)

O personagem “O Vagabundo” de Charles Chaplin surge pela primeira vez no filme Kid auto races at Vernice e ele começa a produzir os próprios filmes.

Para o crítico Ebert, falar não era a forma de expressão do Vagabundo. Na maioria dos filmes mudos, há uma ilusão de que os personagens conversam, mesmo que não possamos ouvi-los.

Mas o Vagabundo é um mímico até o fundo da alma, alguém para quem a expressão corporal é a forma que encontrou para falar. Ele sobrevive num plano diferente dos outros personagens. (Ebert, 2004, p. 294-295)

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Os fundadores da United Artists: Douglas Firbanks, Mary Pickford,

D.W. Griffitch e Charles Chaplin

Em 1919, surge a distribuidora United Artist de Charles Chaplin, Mary Pickfor e de seu marido Douglas Fairbanks e D. W. Griffith e aí começaram a surgir os verdadeiros clássicos chaplinianos. Chaplin produziu 1.500 filmes, em 18 nos de carreira. Ele trabalhou com Harold Lloyd, Buster Keaton e Mack Sennett. O Sr. Sennett (1880-1960) é considerado o pai da comédia cinematográfica (autor da torta na cara), além de ser o maior descobridor de talentos que já houve notícia na história do cinema. Ele descobriu Chaplin e segundo ele, é o maior gênio cômico de todos os tempos. (Moraes, 1991, p. 132)

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Chapéu de Chaplin

A origem do cinema está ligada ao “music hall” e às variedades e desenvolveu o gênero cômico baseado nos recursos da pantomima e Charles Chaplin foi o mais popular entre os cômicos do cinema.

Para o crítico Ebert, Chaplin e os demais cineastas do cinema mudo não conheciam limites linguísticos, seus filmes foram para todos os lugares, independentemente do idioma e as falas mais pareciam uma Torre de Babel, erigindo paredes entre as nações (...) Chaplin também era um mestre dos detalhes, um gigante do cinema mudo. (Ebert, 2004, p. 245)

O advento do cinema sonoro:

a imposição da palavra sobre o gesto

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O primeiro filme sonoro “The jazz singer”(1927)

No final da década é exibido o primeiro filme sonoro: “O Cantor de Jazz”, de Alan Crosland e a interpretação de Al Jonson. Os filmes sonoros foram um sucesso imediato, mas alguns atores, como Mary Pickford não conseguiu fugir à imagem do cinema mudo e teve que se retirar do cinema.

A Era do Cinema Mudo assistiu à consolidação do sistema de estúdios, que duraria até os anos 50.

Nessa década, as primeiras grandes estrelas, como Garbo e Dietrich iluminaram as telas. Mas, em 1929 uma inovação tecnológica mudaria o rumo do cinema. (Bergan, 2007, p. 20)

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Mary Pickford

O advento do cinema sonoro afetou a Comédia Pastelão, mas os talentos de Charles Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd dominaram os filmes de comédia.

Um dos fatores decisivos que contribuíram para o desenvolvimento do cinema era que o público queria saber mais sobre a vida pessoal dos atores e atrizes e os estúdios criaram o star system, onde as estrelas de cinema tinham influencia sob a bilheteria dos filmes. Os estúdios perceberam o valor de identificar atores com certos papéis para que o público os associasse a suas “personalidades”. (Bergan, 2010, p. 21)

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Greta Garbo

Durante o período das guerras, por exemplo, as estrelas de cinema participaram no esforço de guerra, interpretando papéis em filmes de propaganda e vendendo ações de guerra. As atrizes de Hollywood normalmente possuem um sex-appeal. Para Serguei Eisensten isso significa que “uma bela estrela norte-americana é conseguido através de muitos estímulos: da textura do tecido de seu vestido; da luz da iluminação equilibrada e enfática de sua figura; (positivo para a plateia norte-americana);etc.” (Einsenstein, 2002, p. 73)

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O comediante Oliver Hardy

A era do cinema mudo foi o apogeu da comédia americana, que obteve grande audiência mundial, sobretudo graças ao talento de Charlie Chaplin, Harry Langdon e Stan Laurel e Oliver Hardy.

 

 

Filme: EM BUSCA DO OURO (1925)

Roteiro/Direção: Charles Chaplin

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Charles Chaplin – cena do filme

A ideia de Em Busca do Ouro (1925) nasceu num domingo pela manhã na casa do casal Douglas Fairbanks e Mary Pickford. Lá, Chaplin encontrou muitas fotografias das regiões entre a fronteira do Alasca e o Canadá e se lembrou de que lá ocorreu a febre do ouro entre 1869 e 1910. A paixão de milhares de homens desesperados para mudar o rumo de suas vidas, após o achado de algumas pedras de ouro. Ele considerava este filme a sua obra-prima. Na versão original Em Busca do Ouro tem acompanhamento ao piano e na reedição que Chaplin preparou para 1942, acrescentou uma narração em sua própria voz e de uma tentativa de enxertar diálogos na trama. Como o próprio Chaplin afirmou, o filme pelo qual ele mais esperava ser lembrado é Em busca do Ouro.

 

Filme: Tempos modernos

e a era de ouro dos estúdios de Hollywood

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cena de Tempos Modernos

A era de ouro é o período que engloba os anos de 1930 a 1950 em Hollywood e ocorre quando os Estados Unidos refeitos da Grande Depressão encontram no cinema uma forma de se reafirmar, seja pelo musical, pelo drama edificante, pela comédia de costumes, seja pelos faroestes. (Borgo, 2009, p. 304)

Assim, esta era a época em que o cinema era o principal divertimento dos americanos em que ele se torna no mundo inteiro o lazer popular por excelência. Isso se deve, antes de mais nada, à revolução técnica do cinema falado que, desbancando rapidamente o cinema mudo, obriga os criadores, de início reticentes diante do que temem vir a ser um simples teatro filmado, domesticar essa nova linguagem e a inventar para ela uma gramática. (...) No mesmo momento, Hollywood se torna a fábrica de sonhos que, através dos gêneros canônicos (....), traz a um público de massa sua dose cotidiana de imaginário. O filme estreou em Nova York em 1936 e foi recebido com desdém pela crítica por ser considerado uma propaganda comunista e um plágio ao filme “A Nós a Liberdade”, de René Clair. Este é também seu último filme sem diálogos. No lançamento, deu prejuízo nos EUA. Em seguida foi proibido na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini, onde o consideraram “socialista”. Chaplin recebeu elogios de todos os seus colegas, desde Eisenstein até Buñuel e Fellini que o definiu acertadamente com estas palavras: “É um homem que fala a outro homem”.

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Filme: O GRANDE DITADOR (1940)

Direção: Charles Chaplin

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cena do filme

O filme O Grande Ditador (1940) foi a primeira obra de Chaplin a conter diálogos. No papel do ditador fictício Adenoid Hynkel satiriza o regime nazista e conclama o mundo a reagir ao totalitarismo, num momento em que os Estados Unidos ainda não haviam entrado na Segunda Guerra Mundial. Este é o seu primeiro filme de deixa de interpretar O Vagabundo. Chaplin ainda usa técnicas do cinema mudo e lança novamente a sua crítica feroz contra a sociedade moderna por meio de seu incrível personagem inspirado na figura de Hitler. O ator interpreta um barbeiro judeu que sofre de amnesia. No Brasil, o filme foi censurado pelo governador Getúlio Vergas que, primeiramente, manteve-se neutro em relação à guerra.

(revista Os Clássicos do Cinema)

 

A vida sentimental de um cômico

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Cena de Luzes da Cidade

A agitada vida sentimental de Chaplin começou com o seu casamento com Milfred Harris. Eles se conheceram quando ela tinha apenas 14 anos. Casaram-se três anos mais tarde devido à sua gravidez, em outubro de 1918.

Em agosto de 1920, ocorreu o divórcio e num novo casamento de Chaplin com Lita Grey. Eles se casaram em 1924, quando ela tinha 16 anos e, após ter participado como atriz no filme O Garoto (1920), estava previsto que fosse a protagonista do filme Em Busca do Ouro, inclusive chagou a filmar algumas cenas, porém a sua gravidez obrigou-a a deixar o trabalho. O casal tiveram dois filhos: Charles e Sydney. A atriz Georgia Hale, atriz descoberta por Joseph Von Sternberg em 1925, como protagonista de The Salvation Hunters. Quando se incorporou às gravações de Em Busca... ela ficou imediatamente seduzida pelo tratamento dispensado por Chaplin. Anos depois, afirmou que Chaplin oferecia a cena pronta porque nos fazia atuar desde muito tempo antes, aumentando assim a identificação com o personagem nos momentos difíceis.

Depois ele se casa com Paulette Godart e Joan Barry, mãe de um filho dele.

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Paulette Godart

Depois, casa-se com Oona O `Neil, filha do dramaturgo Eugene O `Neil.

Chaplin deixou os EUA em 1952, com a mulher e foi morar na Suíça, onde permaneceu até a sua morte, num dia de Natal.

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Oona O `Neil, última esposa de Chaplin

O artista do “não dito” com suas pantomimas foi um sucesso com suas tragédias pessoais que transformou em comédias.

Ficha técnicas dos filmes apresentados:

a) Título: Chaplin

Diretor: Richard Attenborough

Ano: 1992

Paises: EUA/Reino Unido/ França e Itália

Elenco: Robert Downey Junior (Chaplin), Diane Lane (Paulette), Dan Aykroyd (Senett), Geraldine Page (Hanna Chaplin), Paul Rhys (Sidney), Moira Kelly (Oona O´Neil), Anthony Hopkins (George Hayd único personagem fictício), Milla Jovovich (Mildred Harris), Marisa Tomei (Mabel Normand), Kevin Kline (Douglas Fairbanks), Maria Pitillo (Mary Pickford) e Déborah Moore (Lita Grey).

b) Título: Em busca do ouro

Diretor: Charles Chaplin

País: EUA

Ano: 1925

Elenco: Charles Chaplin, Mack Swain, Tom Murray, Henry Bergman, Malcom Waite e Georgia Hale.

c) Título: Tempos Modernos

Diretor: Charles Chaplin

País: EUA

Ano: 1936

Música: Charles Chaplin

Elenco: Charles Chaplin, Paulette Godard, Henry Bergman, Tiny Sandford, Chester Conklin, Hank Mann, Stanley Blystone.

d) Título: O grande ditador

Diretor: Charles Chaplin

País: EUA

Ano: 1940

Elenco: Charles Chaplin (Adenoid Hynkel/Barbeiro Judeu) e Paulette Godard (Hanna)

Sites consultadosi/imagens

www.chambel.net

www.historiaecinema2.blogspot.com

WWW.faroartesepsicologia.blogspot.com

Referência bibliográfica:

1) BERGAN, Ronald. Ismos: para entender o cinema. São Paulo: Globo, 2010.

2) ____________. Cinema: guia ilustrado. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.

3) BORGO, Érico. Almanaque do cinema. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009.

4) EBERT, Roger. A magia do cinema: os 100 melhores filmes de todos os tempos analisados pelo único crítico ganhador do Prêmio Pulitzer. Rio de Janeiro, Ediouro, 2004.

5) EISENSTEIN, Serguei. A forma do filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

6) MORAES. Vinicius de. O cinema de meus olhos. São Paulo: Cia das Letras/Cinemateca Brasileira, 1991.

7) Revista Os clássicos do cinema: Em busca do ouro. Barcelona: Altaya, 1996.

8) WEISSMAN, Stephen. Chaplin: uma vida. São Paulo: Larousse, 2010.

Rosângela D. Canassa

domingo, 9 de setembro de 2012

A moda no cinema,

na arte e nas ruas

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Marilyn Monroe, na capa da da Playboy,

revista fundada em 1953, por Hugh Hefner

 

A forma como a mulher se posiciona e se representa tanto na sociedade, como na cultura e na arte, de uma maneira em geral revela a mentalidade prevalente desta sociedade.

O cinema e a moda constituem linguagens que, como disse o diretor Win Wenders no filme Identidade de nós mesmos (1989), trabalham com a relação entre imagem e identidade: a identidade visual da imagem em movimento e a identidade corpórea da vida cotidiana.

A roupa ao articular o corpo, articula também a mente. O vestuário é uma das preocupações tão femininas porque o ato de vestir-se não é apenas para cobrir o corpo, mas é um ato de satisfação, a realização de um desejo de ficar mais bonita. O vestuário também se torna um objeto comunicativo. Roupas e outros tipos de ornamentações fazem com que o corpo humano se torne culturalmente visual e a roupa desenha o corpo, de modo que ele possa ser visto culturalmente e também como um mecanismo de identidade.

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Liz Taylor no filme Cleópatra (1963)

 

O cinema, aquela sucessão de imagens projetadas na tela provoca no espectador uma surpresa, de vez em quando, a visão de um figurino interessante, um penteado diferente, um acessório que pode até lançar no mercado.

Na tela do cinema brilharam as imagens superlativas da beleza, as sublimes stars, as ficções que arrebataram, como nenhum outro espetáculo, as multidões maravilhadas das sociedades modernas. Os sonhos das massas também cabem no espaço mágico que é o cinema onde se projetam os sonhos e desejos. (Lipovetsky, 2009, p. 11)

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Nos anos 50, o glamour começa a declinar e deixa o terreno para a desenvoltura, a espontaneidade e a ambiguidade, com grande carga agressiva. A calça jeans, com suas propriedades aderentes, quase adesivas, como a roupa íntima, como veste Marlon Brando no filme O SELVAGEM (1953). O ator usando jeans, o blusão de couro e a moto que tiveram uma participação importante na concepção da moda e de comportamento trazidos pelo cinema.

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Marlon Brando

Segundo alguns pesquisadores, o binômio rapaz-moto era como um sucedâneo do binômio clássico rapaz-moça. A agressividade revelada por estas roupas, simbolicamente podemos entender como a procura de uma nova forma para distanciar-se de seus antecessores destroçados pela 2ª. Guerra Mundial que terminara.

Elvis Presley, com sua voz e o corpo adquire um status de sex-symbol diferente. O rock and roll também fornecia um novo tipo de modelo de papel masculino. O cantor usava muito couro e brilho em sua vestimenta de palco. Na época, o couro era muito apreciado e dizia-se que o couro representava a masculinidade e era isso que as garotas queriam, independentemente de seu sexo.

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Elvis Presley

Nos EUA as roupas prontas, cujo comércio é impulsionado por técnicas de produção em série, enquanto que, na Europa, o prêt-à-porter ganhava fama, com Christian Dior e o “New Look”, um resgate da feminilidade perdida com as guerras. (Nazareth, 2007, p.78)

A televisão já começava a penetrar nos lares nos anos 50, afetando não só as criações no cinema, mas influenciava nosso modo de vida e costumes.

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Audrey Hepburn

Mas não só de couro e jeans viviam a população americana. Os vestidos de noite como aqueles que Grace Kelly vestia também era sucesso. Com um corpo de modelo e uma beleza convencional e fria, a atriz sintetizava a elegância americana.

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Grace Kelly

Por essa época, ganha espaço no universo das pin-ups um novo gênero, que explorava de forma mais radical o fetiche, chegando a utilizar elementos de subserviência sexual e sadomasoquismo, mas preservando o clima de provocação e inocência comum à estas modelos desconhecidas.

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Pin-up dos anos 50

Rosângela D. Canassa

sábado, 4 de agosto de 2012

EU QUERO SER MARILYN MONROE

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Marilyn por Andy Warhol (1962)

A sala Cinemateca de São Paulo fez uma retrospectiva da atriz recentemente e o curador da mostra disse que a ideia foi mostrar o universo multifacetado de Marilyn Monroe. Ele acrescentou que, todos querem a beleza, o poder, a fama e a fortuna da atriz. De certa forma ela foi a primeira a querer ser Marilyn, porque nasceu Norma Jeane e só depois virou fenômeno. (jornal Folha de S. Paulo – Ilustrada, 03/03/2012)

Marilyn Monroe personificou o glamour de Hollywood com um brilho que cativou o mundo. Com uma beleza sedutora e curvas voluptuosas e um beicinho magnânimo, a atriz era mais que uma deusa nos anos 50.

 

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O desejo de ser a diva Marilyn Monroe fez com que várias atrizes posassem como se fossem a estrela até Norma Jeane.

 

Através dos cosméticos, do penteado e do seu figurino, Marilyn Monroe apresentava uma combinação de mulher sedutora, de glamour e de mistério, bem como, de mulher frágil e destinada ao sofrimento.

Em 1962, Marilyn foi nomeada "A Estrela Mais Popular do Mundo" pelo Golden Globe.

A rainha do glamour fez 30 filmes e deixou o filme “Something's Got to Give” inacabado. Hoje, Marilyn Monroe é um ícone, sinônimo de beleza e sensualidade. Com a sua figura inquietante, sedutora e a sua principal característica é o que chamo de “seduzir sem querer”, ou seja, o seu sex appel fabricado ou não, a atriz se tornou natural diante do público que ela conquistou para sempre, com suas imagens na tela grande.

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Marilyn Monroe e sua última sessão de fotos

Na manhã de 05 de agosto de 1962, a atriz morreu enquanto dormia em sua casa em Brentwood, na Califórnia, no auge dos seus 36 anos.

A morte de Marilyn continua até hoje um mistério a ser desvendado. Suicídio ou assassinato? Ninguém sabe de fato o que aconteceu na noite anterior. Mas, toda a documentação sobre a sua morte foi suprimida pelo FBI. Marilyn foi enterrada no Westwood Memorial Park em Los Angeles

Ela era a estrela entre as estrelas de Hollywood e tornou-se um símbolo sexual. Ela queria as luzes do palco e também um marido, uma casa e uma cama, para poder pousar com o seu badouir muito sexy.

6 MM começo de carreira ruiva

Marilyn na praia

Hollywood dominou o entretenimento popular durante algum tempo, principalmente até meados dos anos 50 e com isso influenciou muito a imaginação de seus espectadores, que guardou na memória,  uma espécie de um retrato da atriz.

Ao longo dos anos, os filmes revelaram a imagem feminina de Marilyn, cuja atriz passou por grandes transformações pessoais e também em termos de carreira artística. Todas as suas experiências não só aquelas apresentadas na tela acabaram sedimentando um perfil de atriz e de mulher.

O que a mulher de hoje tem em comum com a diva? É justamente o desejo de ter a fama, a beleza e a sensualidade da atriz.

E quem não gostaria de ser Marilyn Monroe que jogue a primeira pedra.

Rosângela D. Canassa

 

Ficha técnica do filme: “Sete dias com Marilyn”

Diretor: Simon Curtis

Elenco: Michelle Williams, Eddie Redmayne, Julia Ormond, Kenneth Branagh, Pip Torrens, Emma Watson, Geraldine Somerville, Michael Kitchen, Miranda Raison, Toby Jones, Judi Dench

Produção: David Parfitt, Harvey Weinstein

Roteiro: Adrian Hodges

Fotografia: Ben Smithard

Trilha Sonora: Conrad Pope

Duração: 99 min.

Ano: 2011

País: Reino Unido/ EUA

Gênero: Drama

Cor: Colorido

Distribuidora: Imagem Filmes

Estúdio: BBC Films / Lipsync Productions / Trademark Films / UK Film Council / The Weinstein Company

Classificação: 12 anos

Prêmios

Vencedor do Globo de Ouro 2012 de Melhor Atriz (Musical ou Comédia) para Michelle Williams

Referência bibliográfica

1- CINEMATECA da revista Veja – vol. 16 – 2008.

2- FAUX, Dorothy Schefer. Beleza do século. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2000.

3- GODARD, Jean-Luc. Definition and Ilustration of Classical Cinema. New York, The Viking Press, 1968

4- Jornal Folha de São Paulo – março/2012.

5- LANDIS, Deborah Nadoolman – Dressed: a century of Hollywood costume design. N. York, 2007.

6- LESSANA, Marie-Magdeleine. Marilyn: retrato de uma estrela. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.

7- MACKEZIE, Mairi. Ismos: para entender a moda. São Paulo: Globo, 2010.

8- MAY, Lary. Screening Out the Past. Oxford University Press, 1980.

9- MULVEY, Laura. Fetishism and Curiosity. London: BFI/Indiana Um. Press, 1996.

Imagens/livros:

1- BAUDOT, François. Moda do século. São Paulo: Cosac Naify, 2008.

2- BLACKMAN, Cally. 100 anos de moda. São Paulo: Publifolha, 2011.

3- LANDIS,Deborah Nadoolman – Dressed: a century of Hollywood costume design. N. York, 2007.

4- LESSANA, Marie-Magdeleine. Marilyn: retrato de uma estrela. Rio de Jnaeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.

O STAR SYSTEM E A ESTRELA POPULAR: MARILYN MONROE

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O sorriso de Marilyn Monroe

 

Após a 2a Guerra Mundial, os Estados Unidos era a nação mais poderosa e rica do mundo e os negócios da indústria cinematográfica, asseguravam a sua influência em todo o planeta.

O star system americano foi importante porque renovou a arte da maquiagem, do vestuário, do comportamento, da maneira de fotografar as estrelas e também da cirurgia que aperfeiçoa e embeleza e conserva a fábrica dos deuses do cinema.

Max Factor foi o artesão de perucas e também o esteticista contratado pelos estúdios que lucrou com essa indústria nascente lançando a sua própria linha de cosméticos. (Mackenzie, 2010, p. 77)

 

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Marilyn Monroe e James Dean, atores do star system

O star system ingressava nos belos anos de sua história. A atividade cinematográfica era estimulada para dar moral às tropas e às populações da 2ª. Guerra. As estrelas femininas faziam personagens fortes, abordavam os temas da coragem, da guerra, da dedicação, sobre um fundo romântico. (FAUX, 2000, p. 140)

Os filmes de Hollywood e suas atrizes de estúdio davam poder ao cinema e também era assegurado através de seu poder econômico, do seu sistema de produção, de distribuição e de exibição muito bem organizado e totalmente centralizado na imagem dos seus atores.

Desde em então, o star system é o coração da indústria cinematográfica, sendo um sistema de agenciamento dos atores e atrizes onde são realizados contratos milionários de exclusividade, incluindo um código ético e moral em público, que balizava as relações no meio artístico de Hollywood.

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Marlon Brando e Marilyn Monroe

 

A indústria cinematográfica investia na imagem da estrela de acordo com o star system, que ajudava a controlar as atrizes mais populares e que refletia no crescimento dos negócios. Multidões de pessoas eram atraídas às salas de cinema para assistirem nas telas as atrizes que eram lançadas e promovidas em filmes.

Enquanto isso, os esquemas de sedução do consumidor estavam sendo entrelaçados com os poderes da imagem feminina na tela que crescia. Hollywood desenvolveu junto à imagem de Marilyn Monroe, a promoção do desejo, da aparência e do glamour, cuja imagem se perpetuou até os nossos dias.

A fábrica de sonhos e o star system hollywoodiano realizava a atividade cinematográfica baseada em contratos, sendo que o ator não escolhia os papéis que desempenhava. Mas, a heroína vinha de um lugar comum.

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Marilyn a atriz mais popular de Hollywood

A autora Laura Mulvey cita Mary May que resume este fenômeno: “A heroína feminina era encontrada geralmente na sociedade urbana contemporânea e fosse ela uma mulher emancipada ou uma garota encarnada por Clara Bow, Mae Murray, Joan Crawford, Gloria Swanson, Norma ou Constance Talmadge, ela retratava uma jovem inquieta, ansiosa para escapar de um lar ascético.” (Lary May, Screening Out the Past, Oxford University Press, 1980, p. 218)

 

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Marilyn e Michelle

Dentro do star system a beleza-juventude das estrelas femininas era em torno dos 20-25 anos e depois da década de 40, a heroína poderia fazer sucesso mesmo com 40 anos.

 

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Marilyn e a publicidade do sabonete Lux

Marilyn estava dentro dos padrões e a sua maquiagem era muito bem estudada, mais natural do que a das sereias fatais do cinema, porém mais sedutora sendo o resultado de apenas três horas de trabalho; base, pó, sombra, rímel, cílios postiços, delineador, um batom rosa coberto de vaselina para dar à boca um volume voluptuoso, criaram uma imagem sem igual. (FAUX, p. 161)

Segundo Edgar Morin, uma evolução natural progressiva tendia para reunir no interior de cada filme o que estava espalhado em gêneros especializados. A mistura de vários temas (amor, aventuras, cômicos) dentro de um mesmo filme também se esforçava por responder ao maior número possível de exigências específicas e dirige-se a um público variado, segundo as normas do star system. Mas, o problema ocorreu quando os filmes exploravam a imagem feminina nas telas de cinema e com isso confundiu a imagem da mulher, como um componente erótico e como espetáculo de mercadoria, como ocorreu com a atriz.

 

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Marilyn Monroe

Dentro da estrutura narrativa, o espetáculo sexual e a feminilidade tendem se confundir, entre a beleza, a feminilidade e a sexualidade no cinema. Desta forma, a imagem da mulher começa a ser associada a segredos, a algo que permanece obscuro e nasce a femme fatalle. A imagem do cinema adquire um “inconsciente” que tem a sua fonte na ansiedade masculina e no desejo projetado sobre uma feminilidade incerta. (Mulvey, 1996,p. 133)

A América nos anos 50 propõe as questões do corpo feminino muito misturado à erotização do consumo e da mercadoria. A atriz Marilyn Monroe, uma representante do star system, na última entrevista de sua vida disse: “Este é o problema, um símbolo sexual torna-se uma coisa e eu odeio ser uma coisa. Mas se eu for me tornar um símbolo de alguma coisa, eu prefiro que seja de sexo.” (Mulvey, 1996, p. 136)

Segundo Laura Mulvey estas imagens e histórias produzidas no auge de Hollywood são continuamente recicladas na televisão e no vídeo; por isso, a cultura popular através da citação e repetição de padrões narrativos, pode retirar delas um “livro de recordações” reconhecível na iconografia e nos gêneros”. (Mulvey, 1996, p. 124)

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O close-up de Marilyn Monroe

A autora acrescenta também que, a fascinação com a beleza feminina foi comentada por Jean-Luc Godard que cita o diretor americano D. W. Griffith, tocado pela beleza de sua atriz principal e inventou o close-up para captá-la em detalhes. (Jean-Luc Godard, Definition and Ilustration of Classical Cinema, New York, The Viking Press, p. 28, 1968)

A autora não acredita que Griffith inventou o close-up, mas sim a luz difusa e as lentes especialmente adaptadas para a sua estrela favorita, Lilian Gish. O cinema estava desenvolvendo as convenções da montagem em continuidade, que deram ao produto hollywoodiano seu movimento e excitação.

De outro lado, o close-up da estrela teria a força de suspender a história, cortando a imagem da star do fluxo geral da narrativa, enfatizando sua função como espetáculo à parte. Deste modo, uma disjunção aparecia entre a imagem da mulher na tela, intensificada como espetáculo, e o fluxo geral da continuidade narrativa que organizava a ação. (Mulvey, 1996, p. 126)

 

clip_image009 Coleção 1992 Primavera-VerãoCindy Crawford

Marilyn com vestido de saco de batatas e  Cindy Crawford usando o mesmo modelo da atriz

 

Mesmo numa publicidade de sabonete LUX ou usando um vestido costurado com saco de batatas, ela era soberana.

Rosângela D. Canassa

NASCE UMA ESTRELA: NORMA JEANE MORTENSON

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Norma Jeane Mortenson

Marilyn Monroe com a sua aparente vulnerabilidade, inocência e com uma sensualidade natural a levaram a ser a atriz mais popular de Hollywood nos anos 50.

 

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Norma Jeane Mortenson

 

Marilyn Monroe nasceu com o nome de Norma Jeane Mortenson, em 01 de junho de 1926, na cidade de Los Angeles, Califórnia. Mais tarde, ela foi batizada como Norma Jeane Baker. A sua mãe, Gladys Pearl Monroe tinha pouco dinheiro e sofria de problemas mentais e a identidade do pai de Marilyn é desconhecida. Desejando uma vida melhor para sua filha, Gladys enviou Norma Jeane para viver com a família Foster.

Marilyn viveu com muitas famílias durante sua infância e com 9 anos entrou em um orfanato, onde viveu até junho de 1937.

Em 19 de junho de 1942, Norma Jeane, com apenas 16 anos, se casou com o seu vizinho Jimmy Dougherty, de 21 anos, a quem ela chama de “papai”, como no filme “Os homens preferem as loiras”.

Eles se conheceram enquanto ela trabalhava em uma instalação aérea. Enquanto o marido estava na guerra, Marilyn iniciou a sua carreira de modelo, que acabou interferindo na relação. O divórcio ocorreu em junho de 1946, a contragosto de Dougherty.

Em 1944, Norma já havia sido fotografada no serviço por um jornalista, como parte de uma reportagem do exército que mostrava as contribuições femininas para o esforço da guerra. O fotógrafo pediu para ela tirar mais fotos e logo ela iniciava a sua carreira de modelo.

Em 1945, a beleza cativante e ingênua de Norma Jeane Dougherty tinha conseguido sua popularidade e ela emplacou a capa das 33 maiores revistas da época, nos EUA.

Em 1946, ela foi trabalhar como modelo enquanto iniciava sua carreia cinematográfica. Marilyn assinou um contrato com a 20th Century-Fox, que iniciou com o salário de U$ 125 por semana. Logo após assinar com a Fox, Norma Jeane começou a usar o nome de "Marilyn Monroe".

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Norma Jeane no início de sua carreira

 

Além da mudança de nome, ela também mudou a aparência e tingiu o  cabelo de ruivo para o loiro e acrescentou uma pinta na face esquerda, mudando o rosto radicalmente.

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A metamorfose de Marilyn Monroe

A primeira atuação de Marilyn foi um papel num filme de 1947 intitulado: “Sua Alteza, a Secretária”, de George Seaton. Mas, o papel é tão pequeno que seu nome não consta nos créditos. Ela continuou a atuar em pequenos papéis até que surgiu o filme “O segredo das Joias”, de 1950, com direção de John Huston.

A sua performance no filme “A malvada”, de 1950 garantiu a ela grande reputação, ao lado da atriz Bette Davis, apesar de seu nome não constar nos créditos do filme. Os figurinos são dos designers Edith Head e Charles Lemaire.

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Cena do filme “A malvada” (1950)

 

Marilyn tinha grande senso de humor e deu respostas memoráveis diante da agressividade dos jornalistas, ávidos para reduzi-la a certos estereótipos bem degradantes. (Lessana, 2006, p. 36)

A sua atuação no filme “Niagara” (Torrentes de paixão, título no Brasil), de 1953, transformou-a numa estrela de Hollywood.

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Marilyn no filme “Torrentes de Paixão”

 

Marilyn posou para a revista Playboy com fotos feitas para um calendário de 1949, totalmente nua. Ela também deixou a sua marca na calçada da fama em Hollywood e é intitulada a vampe de sexo devorador, símbolo do novo star system.

Em 1953, ela conseguiu o papel no filme “Os homens preferem as Loiras”, de Howard Hawks e contracenou com Jane Russell, grande atriz de Hollywood. Os figurinos magníficos deste filme foram elaborados pelo designer Travilla.

 

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Marilyn Monroe e Jane Russell, no filme

“Os homens preferem as loiras”

Tudo o que Monroe fez foi censurado pela Igreja Católica, incluindo a sua performance no filme “Os homens preferem as loiras” que é tão inofensivo pelos padrões atuais.

Marilyn era cheia de curvas e fez muito sucesso neste filme usando um vestido tipo coluna rosa de tafetá. Com luvas combinando e usando joias com diamantes, a atriz canta a canção: “Diamonds are a girl best friend” (Os diamantes são os melhores amigos de uma garota).

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Cena do filme “Os homens preferem as loiras”

 

Os Estados Unidos dos anos 1950 queria livrar as mulheres da culpa do sexo e tratava de mostrar nos filmes um erotismo cômico, leve, coerente com a vida conjugal, uma espécie de entretenimento. Isso fazia com que os estúdios aceitassem que Marilyn desencadeasse uma vibração sem precedentes, mas temiam que ela encarnasse o que há de baixo e escuro no erotismo, sua força obscena de destruição (...). Eles queriam explorá-la como brinquedo glamoroso e ao mesmo tempo alegre e degradado. (Lessana, 2006, p. 53)

 

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Bette Grable, Lauren Bacall e Marilyn Monroe

“Como agarrar um milionário” (1953)

Outro sucesso no mesmo ano foi o filme “Como agarrar um milionário”, com direção de Jean Negulesco, com participação de Bette Grable, Lauren Bacall e Marilyn Monroe. Os figurinos do designer Travilla.

Em 14 de janeiro de 1954, Marilyn teve o seu segundo casamento com o superstar do baseball, o siciliano Joe DiMaggio. Nove meses depois Monroe e DiMaggio se divorciaram.

Durante uma conferência com a imprensa, o procurador de Monroe atribuiu o rompimento em decorrência dos conflitos com a carreira da atriz. O que de fato ocorreu segundo os biógrafos de Marilyn é que DiMaggio espancou Marilyn depois da atriz gravar a famosa cena com as saias levantadas, no filme “O pecado mora ao lado”, de 1955, com direção de Billy Wilder.

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Cena do filme “O pecado mora ao lado” - 1955

 

Segundo Wilder, Marilyn possuía um instinto natural para dizer um texto cômico e lhe dar um tom especial, um estilo à parte. Ela nunca era vulgar, mesmo num papel que tinha tudo para isso acontecer e de certa maneira a gente sabia isso quando a via na tela. (Lessana, 2006, p. 63)

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Lauren Bacall, Humphrey Bogart e Marilyn Monroe

 

Em sigilo, a atriz já planejava a sua partida de Hollywood e seus advogados estudavam uma maneira de demonstrar a nulidade de seus contratos. O objetivo da estrela era de criar a sua própria produtora com o amigo e fotógrafo Milton Greene.

Depois de muitos filmes que a transformaram em apenas mais um rosto bonito de Hollywood e com salários muito baixos, ela deixou os estúdios e foi morar em Nova York. Marilyn dizia que: “Em Hollywood paga-se mil dólares por um beijo e 50 centavos por sua alma. Eu sei, porque recusei a primeira oferta várias vezes e acabei com os 50 centavos”. (Cinemateca Veja, 2011, p. 30)

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Marilyn no filme “Nunca fui santa” - 1956

 

Em 1956, Marilyn abriu a sua própria produtora a “Marilyn Monroe Productions”, com o sócio Milton Greene e produziu os filmes: “Nunca fui santa” (1956) e “O príncipe encantado” (1957). Estes dois filmes serviram para a atriz revelar o seu talento, como ela tanto desejava.

Em 1959, ela produziu o filme “Quanto mais quente melhor”, com direção de Billy Wilder, cujo diretor admirava muito Marilyn como mulher e atriz.

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Figurino do filme “Quanto mais quente melhor” – 1959

Quanto ao figurino do filme causou um grande escândalo na época. O vestido branco e prata era transparente, na altura do joelho, com forro de chiffon. Embora os apliques estavam estrategicamente colocados poderia ver através do vestido os seios de Marilyn Monroe. Além disso, a parte de trás do vestido era recortado quase até o traseiro. Alguns anos mais tarde, ela usou um vestido muito semelhante quando ela cantou “Happy Birthday”, para o presidente Kennedy.

Como se sabe, a atriz vivia se atrasando para as filmagens porque tinha pânico de entrar em cena, antes da gravação. Mas Billy Wilder sabia lidar com Marilyn e a desculpava, dizendo que ele tinha uma avó que nunca se atrasou, a vida inteira; mas ninguém pagaria um centavo para vê-la.

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Marilyn no filme “Quanto mais quente melhor”

Em 1960, Marilyn ganhou o prêmio “Globo de Ouro” como melhor atriz pela comédia “Quanto mais quente melhor”.

Rosângela D. Canassa

Análise do filme

“Sete dias com Marilyn”

e o star system americano:

um olhar sobre as estrelas

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“Eu sabia que pertencia ao público, que pertencia ao mundo inteiro, não pelo meu talento ou mesmo pela minha beleza, mas porque nunca tinha sido de ninguém...” (Marilyn Monroe)

O filme “Sete dias com Marilyn” ganhou o Oscar de Melhor Atriz, em 2012, cujo prêmio foi concedido a Michelle Williams no papel de Marilyn Monroe.

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Marilyn Monroe (Michelle Williams)

O filme dirigido pelo cineasta inglês Simon Curtis conta a passagem de Marilyn Monroe, em 1956, quando foi pela primeira vez a Londres, para filmar a comédia romântica “O príncipe encantado” (1957), com Laurence Olivier.

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Marilyn e Colin Clark (Eddie Radmayme)

 

O filme foi baseado no livro “Minha semana com Marilyn” em que Colin Clark conta como foram seus dias ao lado da maior estrela do cinema dos anos 50. Ele era assistente do prestigiado ator e diretor britânico, Laurence Olivier. O assistente tinha apenas 23 anos e transformou-se em um confidente de Marilyn.

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Colin Clark e o ator Eddie Radmaym

 

O longa-metragem “Sete dias…” mostra os conflitos que esta relação causou nos bastidores da produção do filme. Colin contou para todo mundo a sua experiência com a atriz e causou muita inveja.

Ao conhecer Colin surge outra Marilyn tão comum e que não se impõe porque é uma celebridade. A sua passagem por Londres, entre idas e vindas durou apenas quatro meses, como relata o filme.

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Cena do filme “Sete dias com Marilyn”

Neste filme, a divina Marilyn está tão infeliz que se perde no seu sofrimento e também nas cenas que tem que gravar para o filme “O príncipe encantado” e acarreta num constrangimento entre a atriz o e o ator famoso.

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Keneth Branagh interpreta Laurence Olivier no filme

“O príncipe encantado” (1957)

A versão teatral de “O príncipe encantado” trata da vida do monarca de país fictício, que se apaixona por uma atriz de cabaré americana e que havia sido protagonizada pela atriz Vivien Leigh, a Scarlet O´Hara, do filme “... E o vento levou” (1939). Por pressão do estúdio e do star system (por conta da idade da atriz, com 43 anos), Vivien Leigh interpretada por Julia Ormond cedeu o papel para Marilyn Monroe.

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Vivien Leigh (Julia Ormond) e

Laurence Olivier (Keneth Branagh)

O filme releva os problemas pessoais da diva Marilyn Monroe e que refletia em sua carreira e vice-versa. Mas, a elegância e a beleza ela conservava acima de tudo.

Os astros e estrelas de Hollywood tinham um estilo de vida, que os americanos começaram a acompanhar graças ao cinema e a televisão que transmitia os acontecimentos das celebridades. Enquanto isso, a tradição e os valores conservadores na sociedade americana voltaram a ser o espelho que todos precisavam mirar, depois da 2ª. Guerra Mundial.

Em 29 de junho de 1956, Marilyn casou-se com o dramaturgo Arthur Miller e ela achou que tinha chegado a hora de ser uma esposa americana, por excelência.

Nessa época, o modelo de mulher era a dona de casa perfeita.  Marilyn tentou  copiar o modelo e sofria porque não conseguia ser a esposa que gostaria de ser.

O papel de mãe ela também não desempenhou considerando os abortos que sofreu. A atriz tinha em casa o melhor aspirador de pó, mas não tinha o talento de uma dona de casa, quando se casou com Miller.

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Arthur Miller e Marilyn Monroe

Em 1961, ela protagoniza o filme “Os desajustados”, com direção de John Huston. Miller escreveu o roteiro do filme, com Marilyn no papel principal.

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Marilyn preparando-se para a gravação do filme

“Os desajustados” – 1961 – figurino de Jean Louis

 

Nos anos 50, Miller viveu o auge de sua fama e ao ser convocado a depor numa comissão do Congresso dos EUA, que investigava a ligação de artistas com o comunismo, ele se recusou a delatar os colegas, apesar da ameaça de prisão por desacato à autoridade.

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Elenco do filme “Os desajustados” de 1961

 

Miller se transformou num ícone intelectual, com a sua obra-prima “A Morte do Caixeiro-Viajante”, peça que simboliza o fracasso do “sonho americano”. Ele morreu de complicações decorrentes de um câncer, aos 89 anos.

O casamento da atriz com o dramaturgo durou de 1956 a 1961. Miller confessou depois do divórcio, que a convivência com Marilyn foi um período infeliz, porque ele parou de se dedicar ao trabalho para cuidar da esposa. Ela tinha uma preocupação excessiva com a sua aparência e dizia que precisava dormir bem para poder gravar no dia seguinte. Então, os remédios para dormir eram de uso constante e segundo Miller ela vivia aquele torpor que estes remédios causam quando usados em excesso e isso o deixou muito perturbado.

Na verdade, Miller não soube lidar com esta situação e também pressionava a esposa para aceitar papéis que ela não queria, por causa da situação financeira do casal.

Em contrapartida, Marilyn lidava mal com seus negócios e fortuna.

 

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Marilyn no filme “Os desajustados”

Mas, o seu brilho maior era ser Marilyn Monroe e este papel foi difícil para ela, a atriz não conseguiu protagonizar por muito tempo, devido a sua instabilidade emocional e as pressões que sofreu durante a sua carreira.

Rosângela D. Canassa